Grupo de escoteiros quilombolas é fundado no Rio Grande do Norte

18 agosto 2021

Escoteiros escolheram nomear o grupo a partir de Zumbi dos Palmares, líder dos quilombolas, símbolo da resistência de sua cultura e tradição

No último dia 1º de agosto, os Escoteiros do Brasil – Região Rio Grande do Norte, fundaram o segundo grupo de escoteiros quilombolas do país, na comunidade quilombola Capoeiras, em Macaíba. O Grupo Escoteiro Zumbi dos Palmares 190/RN homenageia o líder quilombola Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência de sua cultura e tradição. 

A solenidade de abertura do grupo contou com a presença de representantes do governo municipal de Macaíba e de vários membros da Diretoria Escoteira Regional e Nacional, como o coordenador nacional de crescimento, Jorge Kuma, que participou de maneira online. “É algo maravilhoso, abrir uma unidade escoteira em plena pandemia e onde o escotismo deve estar presente!”, afirma Jorge.

O Grupo Escoteiro Zumbi dos Palmares tem como padrinho o Grupo Escoteiro Augusto Severo 138/RN, que participou de toda a trajetória até a constituição da nova Unidade Escoteira Local, cuja abertura é um marco na história dos Escoteiros do Brasil e da comunidade quilombola Capoeiras.

O primeiro grupo de escoteiros quilombolas do país, Grupo Escoteiro Básico Leandro Martins do Caeté 15/PA foi fundado em 2016, na Associação da Comunidade Remanescente de Quilombo do Caeté (AQUICAETÉ), no município de Abaetetuba na região Norte do estado do Pará. De acordo com a escotista da alcateia, Ana Carla Nunes dos Santos, o grupo conta atualmente com 55 membros, entre jovens e adultos e, alinhado aos valores do Escotismo, desenvolve nas crianças, adolescentes e jovens uma educação para a vida que busca a melhoria da comunidade quilombola de Caeté. 

História de Zumbi dos Palmares e os quilombolas

Nascido em 1655, Zumbi dos Palmares, como era conhecido, ou simplesmente Francisco, seu nome de batismo, era sobrinho de Ganga Zumba, o primeiro dos líderes do Quilombo dos Palmares. 

Apesar de sua forte ligação com o Quilombo, Zumbi ficou aos cuidados da Igreja Católica desde os seis anos de idade, onde obteve uma educação superior aos demais. Aos dez anos, Zumbi já era fluente em português e latim e aos 15, resolveu fugir e voltar ao Quilombo, para junto de seus compatriotas e familiares.

Alguns anos depois, em 1675, Zumbi ganhou notoriedade ao defender o quilombo e os quilombolas de um ataque das tropas portuguesas e, cinco anos mais tarde, em 1680, assumiu o lugar de Ganga Zumba como líder de Palmares.

Em 1695, no dia 20 de novembro, Zumbi, que à época tinha 40 anos de idade, foi morto pelo capitão Furtado de Mendonça. Ele foi o último líder quilombola e a data de sua morte hoje é lembrada como o Dia da Consciência Negra. 

As comunidades quilombolas representam até hoje uma das formas mais simbólicas de resistência e combate à escravidão que assolou o mundo durante séculos. Além de ser uma maneira de resgatar a cultura africana, o que contribuiu e contribui para a formação da cultura afro-brasileira.

De acordo com dados oficiais, atualmente no Brasil existem 3.475 comunidades quilombolas distribuídas por pelo menos 24 estados do país, das quais a comunidade Capoeiras, em Macaíba, faz parte. Os Escoteiros do Brasil reiteram a importância de estarmos presentes em um ambiente cuja história e tradições são tão ricas ao nosso país e deverão, em muito, contribuir para o crescimento do Escotismo e a continuidade do Movimento de uma forma ainda mais diversa e inclusiva. 

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